1. Sobre o projeto e como iniciou
A execução de empreendimentos de grande porte impõe exigências elevadas de responsabilidade técnica, gestão de cronograma e controle de qualidade. Nesse contexto, atuamos no setor de impermeabilização de Data Center em 4 edificações da Scala Data Center, um dos maiores centros de data center da América Latina, cenário no qual tivemos parte das edificações ainda em construção e parte já entregue e em operação, o que demandou controle técnico redobrado para cada frente de trabalho.
Durante a execução da primeira edificação, em parceria com a Scala e a CTC, houve a revisão detalhada de projeto executivo, inspeções técnicas e atuação conjunta das equipes de produção, qualidade e engenharia. Esse processo assegurou a execução do sistema de impermeabilização em conformidade com as normas técnicas aplicáveis (NBR 9575 e correlatas) e com as condições reais de campo.
Durante essa etapa, foram identificadas falhas na execução dos sistemas de impermeabilização em edificações já entregues por outras empresas, resultando em infiltrações nos prédios já em operação, não conformidades incompatíveis com os requisitos operacionais de um Data Center, ambiente no qual a estanqueidade é condição crítica para a integridade da infraestrutura.
Diante disso, fomos novamente contratados para a execução de manutenção corretiva em pontos críticos de mais 3 edificações em operação, atuando em conjunto com o projetista responsável, José Mario, da empresa Petra, para diagnóstico das patologias, definição das soluções técnicas e validação dos serviços executados.

2. Manutenção corretiva em Data Center
Foi necessário um novo projeto e relatórios técnicos para executar a manutenção corretiva em todo o perímetro dos 3 prédios. Contamos com a execução de impermeabilizações e materiais diversos, como manta asfáltica, membrana de poliuretano, selantes à base de poliuretano e alsan-flash.
No total, foram impermeabilizados mais de 5.000 m², contemplando os pontos mais críticos, como perímetro da cobertura, cobertura dos elevadores, shafts e pilares.
Com o acompanhamento e a dedicação em conjunto entre cliente, projetista e executor, a qualidade e o prazo foram atendidos conforme a demanda.
3. Dificuldades técnicas e operacionais
Diferentemente de uma execução em edificação vazia ainda em período de obra, tratamos aqui de intervenções corretivas em ambiente operacional, o que exigiu acompanhamento técnico diário e alocação de equipe especializada, capaz de atuar com precisão dentro dos prazos.
No decorrer da obra, foi acompanhada a qualidade do material, os detalhes de projeto, os testes eletrostáticos com holiday detector e as consultas e acompanhamentos do projetista, pois, mesmo com visitas técnicas anteriores ao início da execução, foi necessária a reavaliação de pontos específicos in loco para a execução das atividades de forma correta, uma vez que as interferências são diversas, como acesso ao local, demolições e eletrodutos que não podem ser retirados, entre outras. Nesse projeto, contamos com uma equipe de gestão e produção, equipe de segurança e equipe operacional.
Esse cenário reforça o caráter singular da manutenção corretiva em instalações críticas: cada ponto de intervenção exige planejamento próprio, validação técnica constante e capacidade de adaptação da equipe às condições reais do canteiro, sem comprometer a operação contínua da edificação.

Engenheiros responsáveis pela obra: Engª Naiara Fernandes e Eng. Pedro Biagio
4. O que esse caso ensina sobre a importância da fiscalização técnica durante a obra (prevenção vs. correção)
Este caso demonstra, de forma prática, que o custo de uma execução bem planejada e fiscalizada deve ser analisado não apenas pelo valor da primeira intervenção, mas pelo impacto financeiro e operacional de uma eventual necessidade de refazer o serviço.
A diferença de custo entre fazer bem feito uma única vez e precisar refazer posteriormente é significativa. Em uma obra nova, a impermeabilização é executada sobre um substrato acessível e preparado, sem custos adicionais de demolição, remoção, descarte e recomposição de sistemas existentes. Já no retrabalho, além do novo material e da mão de obra, entram custos que não existiriam na execução original: diagnóstico da patologia, elaboração ou revisão de projetos, demolições, descarte de resíduos, preparação do substrato, recomposição de acabamentos, mobilizações, liberações de áreas e maior tempo de execução.
Estudos do setor indicam que o retrabalho pode representar 3 a 5 vezes o custo da execução inicial, demonstrando que o menor custo nem sempre está em contratar mais barato, mas em executar corretamente na primeira vez, evitando que um serviço já pago precise ser novamente contratado e, muitas vezes, em condições muito mais complexas e onerosas.
No caso da impermeabilização de Data Center em operação, essa diferença de custo se torna ainda mais significativa. O que poderia ser uma etapa simples durante a construção passa a exigir planejamento específico, janelas de intervenção, isolamento de áreas, liberações operacionais, equipes especializadas, acompanhamento técnico, projetos revisados e, em determinados casos, mobilizações emergenciais.
Então, o mesmo metro quadrado que poderia ser impermeabilizado uma única vez durante a obra pode, posteriormente, demandar múltiplas etapas de preparação, intervenção e recomposição, elevando consideravelmente o custo total para o cliente.
Faça com a Vibes! Faça uma única vez!

Texto escrito por: Naiara Fernandes